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"Fahrenheit 451", Ray Bradbury


LEITURA INFLAMÁVEL


FAHRENHEIT 451: A temperatura na qual o papel do livro pega fogo, Ray Bradbury, 1ª. ed., 4ª. reimpressão, Rio de Janeiro: Ed. Globo, 2006, 215 p.


Em recente visita a locadora, deparei com o filme Fahrenheit 451, de François Truffaut, rodado em 1966 e tendo Oskar Werner no papel de Guy Montag, personagem principal da trama.

O filme leva para as telas o livro de mesmo nome do escritor americano Ray Bradbury. Trata-se de uma das mais importantes obras de ficção científica já escritas, publicada originalmente em 1953.

Para quem gosta do gênero, o autor cria uma sociedade futurista onde é expressamente proibida a leitura de livros, os quais, quando encontrados, são queimados pelos chamados “bombeiros”, que ao invés de apagar incêndios ateam fogo em todos os exemplares que encontram pela frente. Referida lei é emanada de um governo opressor e busca com isso manipular a população, mantendo-a ignorante e submissa.

Carlos Heitor Cony, em artigo publicado na Folha de São Paulo, em 25/02/2007 (cujo recorte encontrei dentro da minha edição - que não será queimada), já mencionava que: “O argumento para justificar a queima de livros é simples: transmitindo a cultura e a arte, os livros tornam os homens desiguais em gênero e grau.”

Montag é um dos chamados bombeiros, porém sua impressão sobre os livros muda após conhecer Clarissa, a qual lhe instiga ao prazer da leitura levando-o a burlar a lei. A esposa de Montag, por sua vez, é completamente alienada e refém da televisão, que exerce sobre as pessoas elevada carga de domínio psicológico visto que a comunidade praticamente não sai às ruas, preferindo viver trancafiada em suas residências.

No meio desse cenário de mediocridade existem pessoas que infringem a lei vigente e procuram consolo na leitura, lendo e relendo livros às escondidas, camuflando seus exemplares da melhor forma possível visto a delação ser uma prática constante entre os vizinhos.

É o que acontece com Montag, entregue às autoridades pela própria esposa que não consegue conviver com a pressão de ter livros escondidos em sua casa. Quando chamado para queimar seus próprios livros, ele fica fora de controle, incendiando sua morada. Foge então à procura de Clarissa, que anteriormente lhe havia confessado sobre a existência de um lugar onde estão as chamadas “pessoas livros”: homens e mulheres que decoram obras literárias e atendem pelo nome delas, mantendo-as vivas em suas memórias e assim impossíveis de serem queimadas.

Como se percebe, há uma luz no fim do túnel. Essa comunidade isolada e intelectualizada haverá de ser chamada novamente para transcrever os livros que foram queimados, mantendo incólume toda a sabedoria que deles irradia. Essa é a crença deles.

Ainda que o filme procure retratar a obra fielmente, faltam-lhe detalhes importantes, tal como a perseguição ao personagem principal por um cachorro mecânico, nominado Sabujo, inspirado por Ray Bradbury no famoso cão dos Baskerville, da obra de Arthur Conan Doyle.

Na mesma linha do livro de Bradbury temos “1984”, de George Orwell e “O Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley. No gênero de ficção científica não podemos esquecer de Philip K. Dick, famoso por seus livros “Minority Report – A Nova Lei”, “O Caçador de Andróides”, “O Homem Duplo” e “O Homem do Castelo Alto”, onde narra o destino da humanidade caso os alemães tivessem vencido a segunda guerra mundial. Stephen King também andou por essas terras e H. G. Wells merece destaque pelo seu “A Guerra dos Mundos”. Isso apenas para citar alguns.

Ray Bradbury ainda é autor de “As Crônicas Marcianas” e “Algo Sinistro Vem por Aí”, sendo que a editora Globo acaba de lançar “A Cidade Inteira Dorme”.

Comentários

  1. Oi. Tudo bom? Simplemente adorei teu site/blog, é uma pena que tens publicado pouco. Você resume de uma forma que nos faz querer ler. Um abraço.

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