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"It: A Coisa", Stephen King

UMA OBRA PRIMA DO TÉDIO! Cristian Luis Hruschka KING, Stephen. It: a coisa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014, 1103 pág. (tradução: Regiane Winarski) Sempre gostei de Stephen King, não posso negar, mas "A Coisa" não empolga! Minha relação com ele começou há muito tempo. Por volta de 1995 li "Jogo Perigoso" (1992) - que recebeu excelente adaptação pelo NETFLIX - e a partir daí passei a devorar outros livros do autor como "O Cemitério" (1983), "A Espera de um Milagre" (1996), lançado em fascículos, "Insônia" (1994), "O Apanhador dos Sonhos" (2001), "Tudo é Eventual" (2002), a série "A Torre Negra", entre tantos outros. Por sorte não me deparei com "A Coisa". O livro é extremamente cansativo e chato. Está longe da adaptação para as telas, tanto daquela de 1990, no formato de minissérie, como na de 2017, muito boa, por sinal. Conheço o estilo de King de longa data e, se você está pensando e...

"Guia Literário para Machos", Caléu

LETRAS FRATURADAS Cristian Luis Hruschka MORAES, Caléu Nilson. Guia Literário para Machos , Florianópolis: Ed. UFSC, 2017, 117 pág. Catarinense da pequena cidade de Santa Cecília, Caléu nos apresenta um livro desconfortante. É que os contos que integram “Guia Literário para Machos” deixam o leitor incomodado, perplexo pela linguagem direta e vulgar, mas animado para continuar com a leitura e acompanhar a saga sexual do personagem narrador. “Guia Literário...” foi vencedor do Prêmio Silveira de Souza 2015, promovido pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina, e certamente mexeu com os jurados. Já no primeiro conto (“Poeta Viado”) se verifica a agressividade do estilo de Caléu, usando e abusando de palavrões e narrativas sexuais que deixariam Christian Grey e seus 50 Tons de Cinza passarem vergonha por muito tempo. Aliás, perto das situações (posições!) descritas por Caléu, E. L. James não passa de uma ginasiana. O escritor Carlos Henrique Schroeder, resp...

"O Homem do Castelo Alto", Philip K. Dick

AVENTURA QUIMÉRICA Cristian Luis Hruschka DICK, Phillip K. O Homem do Castelo Alto, São Paulo: Ed. Aleph, 2006, 300 páginas (tradução: Fábio Fernandes) Remexendo meus guardados encontrei um livro que estava esquecido. Já na contracapa deparei com o cupom fiscal de quando comprei o exemplar de "O Homem do Castelo Alto": 06/03/2007. Junto dele havia uma nota recortada do caderno "mais!", jornal Folha de São Paulo, provavelmente da mesma época, que assim dizia: "O escritor americano, autor de histórias que viraram filmes clássicos da ficção científica, como 'Blade Runner', 'Vingador do Futuro' e 'Minority Report', cria neste livro de 1962 uma distopia em que o mundo dos anos 1960 é dominado pela Alemanha nazista e pelo Japão, que teriam vencido a Segunda Guerra." Resolvi, então, tomar vergonha na cara e ler o livro do poderoso Phillip K. Dick (PKD), falecido em 1982 com apenas 53 anos. Escrito durante o período em que amer...

"À Sombra do Meu Irmão", Uwe Timm

HERANÇA MALDITA Cristian Luis Hruschka TIMM, Uwe. À Sombra do Meu Irmão: as marcas do nazismo e do pós-guerra na história de uma família alemã. Porto Alegre: Dublinenses, 2014, 160 pág. (Tradução: Gerson Roberto Neumann e Willian Radünz) Escrito por um dos autores alemães mais traduzidos nos últimos anos, À sombra do meu irmão conta parte da história da Segunda Guerra Mundial vista pelo outro lado, ou seja, dos perdedores. Ainda pequeno, o autor presenciou seu irmão Karl-Heinz alistar-se voluntariamente no exército nazista e partir para o confronto armado. Como soldado da Waffen-SS, foi morto na Ucrânia, em 1943. Posteriormente encaminharam para sua mãe o diário que o filho escrevia no front. Partindo dos relatos lançados no livro, Uwe Timm apresenta aos leitores a trajetória de uma família alemã marcada pela derrota, pela humilhação. Após a ocupação pelos aliados, a Alemanha foi retalhada. Berlim restou dividida entre os soviéticos (setor oriental), franceses, britânicos e am...

"Loney", Andrew Michael Hurley

LITERATURA GOSPEL Cristian Luis Hruschka HURLEY, Andrew Michael, Loney, Rio de Janeiro: Ed. Intrínseca, 2016, 304 pág. (tradução: Renato Marques de Oliveira) Não sou de comentar livros que não me agradam, contudo, tenho a obrigação de alertá-los quanto a Loney. O livro parece bom, mas não é! Explico: nada há de intrigante no enredo, uma mera sucessão de acontecimentos sem qualquer emoção ou suspense. Vamos lá. O leitor incauto está na livraria procurando um livro para ocupar seu tempo. Depara com um exemplar lindo, capa dura, sobrecapa primorosa, título em relevo, tudo bem acabado e bonito. Para completar uma recomendação do mestre do terror e suspense, ninguém menos que Stephen King: " Loney não é apenas bom, é sensacional. Uma extraordinária obra de ficção". Mais impressionante é o comentário do The Daily Telegraph: "Passei uma noite em claro lendo Loney , e o livro me assombra desde então". Bingo! Você achou o livro que procurava. Vai para sua casa, pr...

"Os Visitantes", Bernardo Kucinski

VISITAS INDIGESTAS Cristian Luis Hruschka KUCINSKI, Bernardo. Os Visitantes, São Paulo: Cia. das Letras, 2016, pág. 81. Em 2013 o escritor Bernardo Kucinski publicou um livro chamado "K. - Relato de uma busca". Na trama conta a história da luta de um pai para encontrar o paradeiro de sua filha, professora de química desaparecida com o marido durante o regime militar. O livro foi aclamado pela crítica e causou impacto na ocasião do seu lançamento. Agora, Kucinski apresenta ao público "Os Visitantes", uma espécie de continuação de "K.", onde o escritor é visitado por diversas pessoas que dele tomam satisfação quanto à sua participação no livro. Por mais que o escritor se explique, dizendo que se trata de uma obra de ficção, que tudo fora invenção, mesmo justificando os fatos lançados no livro como sendo de licença poética, os visitantes não se dão por satisfeitos, exigindo retratações e criticando duramente a obra. Alguns deles, aliás, sequer leram o ...

"Quando Fui Outro", Fernando Pessoa

FRAGMENTOS DE PESSOA Cristian Luis Hruschka PESSOA, Fernando,   Quando Fui Outro , Ed. Alfaguarra, 2006, 224 pág., organizada por Luiz Ruffato. “Trago dentro do meu coração, Como num cofre que se não pode fechar de cheio, Todos os lugares onde estive, Todos os portos a que cheguei, Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, Ou de tombadilhos, sonhando, E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.” (Passagem das Horas) Revendo minha pequena biblioteca, deparei com   Quando fui outro , de Fernando Pessoa, cuja antologia de poemas e textos em prosa, organizada pelo escritor Luiz Ruffato, comprei há alguns anos. Comecei relendo sem compromisso e logo o livro prendeu novamente minha atenção. Em questão de horas tinha devorado páginas e mais páginas. Fernando  Antônio Nogueira   Pessoa,   nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 13 de junho de 1888. Desde cedo já despontava para as letras e por elas viveu até morrer com ...