Pular para o conteúdo principal

Postagens

"Istambul Istambul", de Burhan Sönmez

Postagens recentes

"1177 A.C.: o ano em que a civilização entrou em colapso", de Eric H. Cline

  A LIÇÃO DE 1177 A.C.   Cristian Luis Hruschka   CLINE, Eric H. 1177 A.C: o ano em que a civilização entrou em colapso . São Paulo: Avis Rara: 2023, 224 páginas (tradução: Fábio Alberti)   A história por muito tempo tratou a queda da Idade do Bronze no Mediterrâneo antigo como uma tragédia rápida causada por invasores cruéis e misteriosos. No entanto, no livro 1177 a.C.: O Ano em que a Civilização Desabou , o arqueólogo Eric H. Cline mostra que a realidade foi bem diferente.   O fim de civilizações grandiosas como os micênicos, hititas e egípcios, não aconteceu por causa de um único golpe, mas de um conjunto de fatores que uniu desastres em várias frentes ao mesmo tempo. Entre eles estão a fome, doenças, invasões e conflitos comerciais, sendo que “o principal fator desencadeador foi a mudança climática manifestada na forma de megasseca no Egeu e no Mediterrâneo Ocidental, bem como possíveis secas em outros lugares” (p. 194).   O grande...

"O Conto da Ilha Desconhecida", José Saramago

  A Ilha Desconhecida de Cada Um   Cristian Luis Hruschka   SARAMAGO, José. O Conto da Ilha Desconhecida. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, 62 páginas.   Sempre tive a certeza de que o livro não se mede pelo tamanho, mas sim pelo conteúdo. É como um perfume; os melhores estão nos menores frascos. A literatura é assim. Livros curtos como A Metamorfose de Kafka e O Estrangeiro de Camus são exemplos disso: obras excelentes em poucas páginas. Lógico, não estou desprezando os gigantes como Dom Quixote , O Senhor dos Anéis e Guerra e Paz , mas nem sempre há necessidade de escrever tanto para contar uma história fascinante.   Com O Conto da Ilha Desconhecida não é diferente. Nessa pequena obra, o Nobel da Literatura José Saramago nos traz um enredo fascinante. Foi neste livro que cunhou a conhecida citação: “É necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não saímos de nós” (pág. 41). A frase resume a essência da narrativa, qu...

"Sociedade do Cansaço", Byung-Chul Han

  O Peso Invisível da Liberdade   Cristian Luis Hruschka   HAN, Byung-Chul.  Sociedade do Cansaço.  3ª ed. (3ª reimpressão, 2026), Petrópolis: Vozes, 2024, 126 páginas (tradução: Enio Paulo Giachini)   Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano radicado na Alemanha, tornou-se uma das vozes mais inquietantes da filosofia contemporânea ao diagnosticar as patologias sociais que moldam nosso tempo.   Em  Sociedade do Cansaço  ele nos apresenta um ensaio breve, mas de impacto profundo, que revela uma mudança silenciosa e devastadora, qual seja, a transição da “sociedade disciplinar”, marcada pela obediência e pela repressão, para a “sociedade de desempenho”, regida pelo excesso de positividade e pela autoexploração.   “A autoexploração é muito mais eficiente que a exploração estranha, pois caminha de mãos dadas com o sentimento de liberdade. (...) Aqui não entra o outro como explorador, que me obriga a trabalhar e que me explora. Ao contrário, eu p...

"O Lobo da Estepe", Hermann Hesse

  Entre o homem, o lobo e o riso     Cristian Luis Hruschka   HESSE, Hermann. O Lobo da Estepe , 63ª ed., São Paulo: Editora Record, 2025, 250 páginas (tradução: Ivo Barroso)   Publicado em 1927, “O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse, é um dos romances mais marcantes da literatura do século XX. A obra mergulha na crise existencial de Harry Haller, um intelectual de 50 anos, culto e financeiramente estável, mas atormentado por um vazio interior que o leva a considerar o suicídio como única saída.     Logo nas primeiras páginas, Hesse introduz reflexões que ampliam esse dilema:     “Mas entre eles surgiu também a ideia de que o homem talvez não seja apenas um animal dotado de razão, mas o filho de Deus destinado à imortalidade.”   (Pág. 58)   Esse trecho revela a tensão central da obra: o homem não se reduz à racionalidade, mas pode aspirar à transcendência. Harry, no entanto, permanece dividido entre sua parte ...

"A Sonata a Kreutzer", Liev Tolstói

  Escândalo que Atravessa o Tempo   Cristian Luis Hruschka   TOLSTÓI, Liev. A Sonata a Kreutzer , 2ª ed., São Paulo: Editora 34, 120 páginas (tradução: Boris Schnaidermann)   Publicado em 1889, A Sonata a Kreutzer é uma das obras mais polêmicas de Tolstói, escrita em um momento em que a Rússia vivia sob forte conservadorismo social e religioso.   Governada pelo czar Alexandre III, a sociedade russa era marcada pela repressão política e por rígidos valores morais, especialmente no que dizia respeito ao casamento e ao papel da mulher. Nesse contexto, o livro surgiu como uma afronta às convenções, expondo sem pudor os dilemas da vida conjugal e a corrosão provocada pelo ciúme e pela sexualidade.   Ao ser lançado, o romance causou enorme escândalo. A crítica ao casamento como instituição falida e hipócrita, somada à visão radical de que o desejo sexual corrompe o ser humano, chocou leitores e autoridades. A obra foi censurada em diversos países, inclusive na p...