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"A Cabeça do Santo", Socorro Acioli

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"Istambul Istambul", de Burhan Sönmez

  A CIDADE DE BAIXO   Cristian Luis Hruschka   SÖNMEZ, Burhan. Istambul Istambul . Tradução de Tânia Ganho. Rio de Janeiro: Tabla, 2021. 320 p.   Como sobreviver quando o corpo está trancado em uma cela escura e a dor é a única certeza do dia seguinte? É possível escapar de um cárcere sem atravessar suas paredes? Essas perguntas acompanham toda a leitura de Istambul Istambul , terceiro romance do escritor turco Burhan Sönmez, publicado originalmente em 2015 e trazido ao Brasil pela editora Tabla, com tradução de Tânia Ganho . Quatro homens dividem uma cela minúscula no subsolo de Istambul: o estudante Demirtay, o Doutor, o barbeiro Kamo e o velho tio Küheylan. Estão presos por razões políticas, tratados pelo Estado como subversivos, e entre uma sessão de interrogatório e outra só lhes resta esperar. Para suportar a espera, contam histórias. São dez dias e dez capítulos, cada um narrado por um dos prisioneiros.   A diferença é que os narradore...

"1177 A.C.: o ano em que a civilização entrou em colapso", de Eric H. Cline

  A LIÇÃO DE 1177 A.C.   Cristian Luis Hruschka   CLINE, Eric H. 1177 A.C: o ano em que a civilização entrou em colapso . São Paulo: Avis Rara: 2023, 224 páginas (tradução: Fábio Alberti)   A história por muito tempo tratou a queda da Idade do Bronze no Mediterrâneo antigo como uma tragédia rápida causada por invasores cruéis e misteriosos. No entanto, no livro 1177 a.C.: O Ano em que a Civilização Desabou , o arqueólogo Eric H. Cline mostra que a realidade foi bem diferente.   O fim de civilizações grandiosas como os micênicos, hititas e egípcios, não aconteceu por causa de um único golpe, mas de um conjunto de fatores que uniu desastres em várias frentes ao mesmo tempo. Entre eles estão a fome, doenças, invasões e conflitos comerciais, sendo que “o principal fator desencadeador foi a mudança climática manifestada na forma de megasseca no Egeu e no Mediterrâneo Ocidental, bem como possíveis secas em outros lugares” (p. 194).   O grande...

"O Conto da Ilha Desconhecida", José Saramago

  A Ilha Desconhecida de Cada Um   Cristian Luis Hruschka   SARAMAGO, José. O Conto da Ilha Desconhecida. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, 62 páginas.   Sempre tive a certeza de que o livro não se mede pelo tamanho, mas sim pelo conteúdo. É como um perfume; os melhores estão nos menores frascos. A literatura é assim. Livros curtos como A Metamorfose de Kafka e O Estrangeiro de Camus são exemplos disso: obras excelentes em poucas páginas. Lógico, não estou desprezando os gigantes como Dom Quixote , O Senhor dos Anéis e Guerra e Paz , mas nem sempre há necessidade de escrever tanto para contar uma história fascinante.   Com O Conto da Ilha Desconhecida não é diferente. Nessa pequena obra, o Nobel da Literatura José Saramago nos traz um enredo fascinante. Foi neste livro que cunhou a conhecida citação: “É necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não saímos de nós” (pág. 41). A frase resume a essência da narrativa, qu...

"Sociedade do Cansaço", Byung-Chul Han

  O Peso Invisível da Liberdade   Cristian Luis Hruschka   HAN, Byung-Chul.  Sociedade do Cansaço.  3ª ed. (3ª reimpressão, 2026), Petrópolis: Vozes, 2024, 126 páginas (tradução: Enio Paulo Giachini)   Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano radicado na Alemanha, tornou-se uma das vozes mais inquietantes da filosofia contemporânea ao diagnosticar as patologias sociais que moldam nosso tempo.   Em  Sociedade do Cansaço  ele nos apresenta um ensaio breve, mas de impacto profundo, que revela uma mudança silenciosa e devastadora, qual seja, a transição da “sociedade disciplinar”, marcada pela obediência e pela repressão, para a “sociedade de desempenho”, regida pelo excesso de positividade e pela autoexploração.   “A autoexploração é muito mais eficiente que a exploração estranha, pois caminha de mãos dadas com o sentimento de liberdade. (...) Aqui não entra o outro como explorador, que me obriga a trabalhar e que me explora. Ao contrário, eu p...

"O Lobo da Estepe", Hermann Hesse

  Entre o homem, o lobo e o riso     Cristian Luis Hruschka   HESSE, Hermann. O Lobo da Estepe , 63ª ed., São Paulo: Editora Record, 2025, 250 páginas (tradução: Ivo Barroso)   Publicado em 1927, “O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse, é um dos romances mais marcantes da literatura do século XX. A obra mergulha na crise existencial de Harry Haller, um intelectual de 50 anos, culto e financeiramente estável, mas atormentado por um vazio interior que o leva a considerar o suicídio como única saída.     Logo nas primeiras páginas, Hesse introduz reflexões que ampliam esse dilema:     “Mas entre eles surgiu também a ideia de que o homem talvez não seja apenas um animal dotado de razão, mas o filho de Deus destinado à imortalidade.”   (Pág. 58)   Esse trecho revela a tensão central da obra: o homem não se reduz à racionalidade, mas pode aspirar à transcendência. Harry, no entanto, permanece dividido entre sua parte ...