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"As Perguntas", Antônio Xerxenesky

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS Cristian Luis Hruschka XERXENESKY Antônio. As Perguntas, São Paulo: Companhia das Letras, 2017, 177 pág. Não recordo bem o mês, tampouco o dia, mas lembro que foi no segundo semestre do ano passado que deparei com um capítulo do livro As Perguntas , do escritor gaúcho Antônio Xerxenesky, nas páginas do caderno Ilustríssima, jornal Folha de São Paulo. Fiquei ansioso pelo lançamento e animado para ler seu novo romance. Não faz muito havia lido F , seu livro anterior, e fiquei fascinado pelo seu ritmo de escrita e capacidade de envolver o leitor. Ainda no ano passado comprei um exemplar pela internet, mas só agora consegui ler com a atenção merecida. O novo livro de Xerxenesky, assim como o anterior, traz uma mulher como protagonista. Alina está na faixa dos trinta anos de idade, passando pela conhecida crise que afeta as mulheres nessa fase. Trata-se, portanto, de uma mulher "balzaquiana", para emprestar o termo advindo do livro A Mulher de ...

"A Cidade Inteira Dorme e Outros Contos", Ray Bradbury

CONTOS FANTÁSTICOS Cristian Luis Hruschka BRADBURY, Ray. A Cidade Inteira Dorme e Outros Contos. 2a. Ed., São Paulo: Globo (Biblioteca Azul), 2013, 192 p. (tradução: Deisa Chamahum Chaves). O nome de Ray Bradbury não é estranho para aqueles que gostam de livros de ficção científica. Nascido em 1920, na cidade de Waukegan (Illinois, EUA), teve uma vida longa e movimentada. Faleceu com 91 anos de idade, em Los Angeles (EUA), local em que morou a maior parte de sua vida. Com diversos livros escritos, muitos não estão traduzidos, seu trabalho de maior sucesso é "Fahrenheit 451", publicado em 1953 (http://resenhas-literarias.blogspot.com.br/2009/03/resenha-fahrenheit-451-ray-bradbury.html). Sempre que falamos em ficção científica imaginamos viagens intergalácticas, robôs, extraterrestres e monstros de outros planetas, porém, o gênero não se resume a isso, pelo contrário. As melhores histórias são aquelas que abordam mundos paralelos, viagens no tempo, recursos paranorm...

"It: A Coisa", Stephen King

UMA OBRA PRIMA DO TÉDIO! Cristian Luis Hruschka KING, Stephen. It: a coisa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014, 1103 pág. (tradução: Regiane Winarski) Sempre gostei de Stephen King, não posso negar, mas "A Coisa" não empolga! Minha relação com ele começou há muito tempo. Por volta de 1995 li "Jogo Perigoso" (1992) - que recebeu excelente adaptação pelo NETFLIX - e a partir daí passei a devorar outros livros do autor como "O Cemitério" (1983), "A Espera de um Milagre" (1996), lançado em fascículos, "Insônia" (1994), "O Apanhador dos Sonhos" (2001), "Tudo é Eventual" (2002), a série "A Torre Negra", entre tantos outros. Por sorte não me deparei com "A Coisa". O livro é extremamente cansativo e chato. Está longe da adaptação para as telas, tanto daquela de 1990, no formato de minissérie, como na de 2017, muito boa, por sinal. Conheço o estilo de King de longa data e, se você está pensando e...

"Guia Literário para Machos", Caléu

LETRAS FRATURADAS Cristian Luis Hruschka MORAES, Caléu Nilson. Guia Literário para Machos , Florianópolis: Ed. UFSC, 2017, 117 pág. Catarinense da pequena cidade de Santa Cecília, Caléu nos apresenta um livro desconfortante. É que os contos que integram “Guia Literário para Machos” deixam o leitor incomodado, perplexo pela linguagem direta e vulgar, mas animado para continuar com a leitura e acompanhar a saga sexual do personagem narrador. “Guia Literário...” foi vencedor do Prêmio Silveira de Souza 2015, promovido pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina, e certamente mexeu com os jurados. Já no primeiro conto (“Poeta Viado”) se verifica a agressividade do estilo de Caléu, usando e abusando de palavrões e narrativas sexuais que deixariam Christian Grey e seus 50 Tons de Cinza passarem vergonha por muito tempo. Aliás, perto das situações (posições!) descritas por Caléu, E. L. James não passa de uma ginasiana. O escritor Carlos Henrique Schroeder, resp...

"O Homem do Castelo Alto", Philip K. Dick

AVENTURA QUIMÉRICA Cristian Luis Hruschka DICK, Phillip K. O Homem do Castelo Alto, São Paulo: Ed. Aleph, 2006, 300 páginas (tradução: Fábio Fernandes) Remexendo meus guardados encontrei um livro que estava esquecido. Já na contracapa deparei com o cupom fiscal de quando comprei o exemplar de "O Homem do Castelo Alto": 06/03/2007. Junto dele havia uma nota recortada do caderno "mais!", jornal Folha de São Paulo, provavelmente da mesma época, que assim dizia: "O escritor americano, autor de histórias que viraram filmes clássicos da ficção científica, como 'Blade Runner', 'Vingador do Futuro' e 'Minority Report', cria neste livro de 1962 uma distopia em que o mundo dos anos 1960 é dominado pela Alemanha nazista e pelo Japão, que teriam vencido a Segunda Guerra." Resolvi, então, tomar vergonha na cara e ler o livro do poderoso Phillip K. Dick (PKD), falecido em 1982 com apenas 53 anos. Escrito durante o período em que amer...

"À Sombra do Meu Irmão", Uwe Timm

HERANÇA MALDITA Cristian Luis Hruschka TIMM, Uwe. À Sombra do Meu Irmão: as marcas do nazismo e do pós-guerra na história de uma família alemã. Porto Alegre: Dublinenses, 2014, 160 pág. (Tradução: Gerson Roberto Neumann e Willian Radünz) Escrito por um dos autores alemães mais traduzidos nos últimos anos, À sombra do meu irmão conta parte da história da Segunda Guerra Mundial vista pelo outro lado, ou seja, dos perdedores. Ainda pequeno, o autor presenciou seu irmão Karl-Heinz alistar-se voluntariamente no exército nazista e partir para o confronto armado. Como soldado da Waffen-SS, foi morto na Ucrânia, em 1943. Posteriormente encaminharam para sua mãe o diário que o filho escrevia no front. Partindo dos relatos lançados no livro, Uwe Timm apresenta aos leitores a trajetória de uma família alemã marcada pela derrota, pela humilhação. Após a ocupação pelos aliados, a Alemanha foi retalhada. Berlim restou dividida entre os soviéticos (setor oriental), franceses, britânicos e am...

"Loney", Andrew Michael Hurley

LITERATURA GOSPEL Cristian Luis Hruschka HURLEY, Andrew Michael, Loney, Rio de Janeiro: Ed. Intrínseca, 2016, 304 pág. (tradução: Renato Marques de Oliveira) Não sou de comentar livros que não me agradam, contudo, tenho a obrigação de alertá-los quanto a Loney. O livro parece bom, mas não é! Explico: nada há de intrigante no enredo, uma mera sucessão de acontecimentos sem qualquer emoção ou suspense. Vamos lá. O leitor incauto está na livraria procurando um livro para ocupar seu tempo. Depara com um exemplar lindo, capa dura, sobrecapa primorosa, título em relevo, tudo bem acabado e bonito. Para completar uma recomendação do mestre do terror e suspense, ninguém menos que Stephen King: " Loney não é apenas bom, é sensacional. Uma extraordinária obra de ficção". Mais impressionante é o comentário do The Daily Telegraph: "Passei uma noite em claro lendo Loney , e o livro me assombra desde então". Bingo! Você achou o livro que procurava. Vai para sua casa, pr...