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"Outsider", Stephen King

  KING CONTINUA SEM EMPOLGAR   Cristian Luis Hruschka   KING, Stephen. Outsider, Rio de Janeiro: Suma, 2018, 523 páginas. Tradução: Regiane Winarski.   Lido com Stephen King há mais de 25 anos. Comecei com “Jogo Perigoso” (1992), depois “O Cemitério” (1983), “Insônia” (1994), “A Espera de um Milagre” (2000), coleção “A Torre Negra”, “A Hora do Lobisomem” (1985), “It: a Coisa” (1986), e por aí vai...   Sempre muito questionado pela forma da escrita e com pouca aceitação pela crítica especializada, Stephen King ganhou espaço no grande público através das adaptações para o cinema de sucessos literários, tais como “O Iluminado” (1977), “Carrie, a Estranha” (1974), “O Apanhador de Sonhos” (2001), “Doutor Sono” (2013), “Louca Obsessão” (“Misery”,1987) , entre outros livros e diversos contos que resultaram em filmes, como, por exemplo, “Conta Comigo” (Stand by Me, 1986), advindo do conto “O Corpo”. Outros textos renderam séries como, por exemplo, “Sob a...

"A Queda", Albert Camus

O MEDO DE SER JULGADO Cristian Luis Hruschka CAMUS, Albert. A Queda, 24ª ed., Rio de Janeiro: Record, 2020, 110 p., Tradução: Valerie Rumjanek. Publicado em 1956 pela famosa editora francesa Gallimard, “A Queda” foi um dos últimos livros escritos por Camus, precocemente morto em janeiro de 1960 num acidente automobilístico no interior da França com apenas 46 anos de idade. Contudo, La Chute (título em francês) impulsionou e justificou em definitivo o Nobel de Literatura recebido pelo escritor no ano seguinte, coroando a excelência de sua obra. Trata-se de um monólogo onde o narrador, Jean-Baptiste Clamence, advogado autointitulado de “juiz-penitente”, encontra um compatriota no bar “Mexico City”, localizado no porto de Amsterdam (Holanda). Andando pelas redondezas da cidade com seu novo amigo, durante cinco dias Jean-Baptiste enaltece suas qualidades, sua inteligência, força, beleza: “Só reconhecia em mim superioridades, o que explicava minha benevolência e serenidade. Quando me ocupav...

"Uma Mulher Transparente", Edgard Telles Ribeiro

LEITURA DIÁFANA Cristian Luis Hruschka RIBEIRO, Telles Edgard. Uma Mulher Transparente. São Paulo: Ed. Todavia, 2018, 128 páginas. Autor de mais de uma dezena de livros, Edgar Telles Ribeiro é escritor premiado e com romances traduzidos para diversos países. Diplomata, assim como o pai, nasceu em 1944 e viveu os chamados "anos de chumbo", período conturbado da história brasileira. Seu último livro, "Uma Mulher Transparente", situa a trama durante o regime militar, iniciando alguns anos antes de instaurado o golpe quando o narrador, que escreve verbetes para uma enciclopédia, testemunha um assassinato ocorrido na calçada em frente ao prédio onde trabalha. Anos depois este narrador inicia seu segundo livro onde pretende abordar a morte misteriosa, sob sua ótica, da esposa o antigo chefe (Herculano). No velório deste, encontra um colega de trabalho, dos tempos da enciclopédia, e relata seu novo projeto literário. O amigo, que era muito próximo ao chefe falec...

"Neve Negra", Santiago Nazarian

UMA MADRUGADA DE FRIO E DELÍRIOS Cristian Luis Hruschka NAZARIAN, Santiago. Neve Negra, São Paulo: Cia das Letras, 2017, 248p. Muitas vezes desprezada pela crítica especializada, os livros de terror e horror não costumam ganhar destaque. Sua importância está restrita a poucos escritores, na imensa maioria internacionais, que se erguem como os grandes representantes do gênero. Entre eles está, indiscutivelmente, Stephen King, autor de clássicos como Zona Morta , It - A Coisa , O Cemitério e À Espera de um Milagre . Podemos destacar, também, aqueles que iniciaram o gênero na literatura universal e até hoje servem de inspiração para novos escritores, como Edgar Alan Poe, H. P. Lovecraft, Robert Louis Stevenson, Bram Stocker e tantos outros. Terror e horror são expressões que se assemelham, mas quando se trata de gênero literário possuem algumas distinções importantes. Em regra, o terror está associado à aspectos psicológicos, emocionais, onde o escritor envolve o leitor em uma tra...

"O Conto da Aia", Margaret Atwood

DISTOPIA FEMININA? Cristian Luis Hruschka Atwood, Margaret. O Conto da Aia, Rio de Janeiro: Rocco, 2017, 366 pág. Tradução: Ana Deiró. O Conto da Aia  sempre esteve presente na minha lista de leituras (interminável!), mas somente agora tive a oportunidade de ler. Comprei o livro por estar em destaque na livraria com uma propaganda da séria de TV baseada na obra, que não assisti.  Trata-se do livro mais emblemático e famoso da escritora canadense Margaret Atwood, vencedora de inúmeros prêmios literários entre eles o Arthur C. Clarke (1987), concedido aos melhores livros de ficção científica. Toda e qualquer resenha que você ler sobre O Conto da Aia  mencionará a palavra distopia que, a grosso modo, significa o caos total, a ausência de esperança diante de um sistema totalitário e opressor. O enredo não foge à essa regra, porém, é direcionado às mulheres, colocando-as em situações de completa submissão. Publicado em 1985, é narrado por Offred, protag...

"Mordaça", André Ladeia

POETA LIVRE Cristian Luis Hruschka LADEIA, André. Mordaça. Rio de Janeiro: Ed. Oito e Meio, 2018, 84. Mordaça  é o terceiro livro do escritor mineiro André Ladeia. Assim como no livro anterior ( Alçapão) , mescla prosa e poesia, demonstrando o autor erudição e facilidade para transitar em temas que envolvem a mitologia grega, o existencialismo de Camus e o mito de Sísifo , bem como cenas do cotidiano, conforme se constata no poema Gradação (pág. 42): Onde trabalho As pessoas têm Caras iguais Comportamento iguais Máscaras iguais. Mas o que Me incomoda mesmo São os ódios Em graus Diferentes. O título do livro não dá nome a nenhuma poesia ou conto, mas demonstra, em única palavra, a aflição sentida quando não se pode dar vazão aos sentimentos e pensamentos. Mordaça representa a venda na boca, o pano entre os dentes amarrado na nuca. Identifica as feridas nos lábios, a incapacidade da língua formar as palavras e dizer o que pretende. Estar amordaçado é estar pre...

"Gog Magog", Patrícia Melo

VIZINHANÇA BARULHENTA Cristian Luis Hruschka MELO, Patrícia. Gog Magog, Rio de Janeiro: Rocco, 2017, 174 pág. Patrícia Melo é escritora conhecida do público brasileiro. Publicou, entre outros livros,  Inferno , vencedor do prêmio Jabuti em 2001, e Matador , livro que rendeu o excelente filme O Homem do Ano , estrelado por Murilo Benício. Ao lado de nomes como Rubem Fonseca e Luiz Alfredo Garcia-Roza, tem destaque na ficção policial, gênero literário que deveria merecer mais atenção pelas editoras brasileiras. Esposa do maestro John Neschling, vive com ele na Suíça, de onde produz sua obra atenta ao que acontece em terras tupiniquins. Gog Magog  é seu último livro. Um romance curto, porém intenso, cuja trama se desenvolve com velocidade. O personagem principal é um professor de biologia que passa a ter problemas com seu vizinho de apartamento. Ygor, apelidado pelo protagonista como Sr. Ípsilon, inferniza sua vida pacata. Os barulhos produzidos no andar de cima tiram...