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"Jorge, um Brasileiro", Oswaldo França Júnior

ROMANCE EM BATE-PAPO FRANÇA JÚNIOR, Oswaldo. Jorge, um Brasileiro, 1 ª  ed., Rio de janeiro: Ed. Bloch, 1967, 269 pág. Sempre fui avesso às listas dos mais vendidos. Desconheço se os clássicos de hoje fizeram parte de alguma relação no passado (se é que existia) que indicasse se tratar de uma obra indispensável, tampouco com qualidade literária. Por esse motivo, gosto de garimpar em sebos livros que já estão esquecidos pela nova geração mas que não podemos deixar de mencionar em virtude da qualidade de suas palavras. Um exemplo dessa boa literatura é "Jorge, um Brasileiro", do escritor mineiro Oswaldo França Júnior, que adquiri pelo simbólico valor de R$ 5,00 (cinco reais). Um absurdo, quanto mais por se tratar da primeira edição. Nascido em 21 de julho de 1936 na cidade do Serro, Estado de Minas Gerais, França Júnior foi cedo para a cidade do Rio de Janeiro (RJ) onde se tornou piloto da Força Aérea Brasileira. Expulso em 1964 por ocasião do golpe militar implantado no ...

"O Carrasco de Hitler", Robert Gerwarth

A FACE DA CRUELDADE Cristian Luis Hruschka GERWARTH, ROBERT. O Carrasco de Hitler, 1ª reimpressão, São Paulo: Ed.  Cultrix, 2014, 456 pág. Tradução: Mario Molina. Lançado em 2013 com primeira reimpressão em 2014, “O Carrasco de Hitler”, do escritor Roberth Gerwarth, conta a história de Reinhard Heydrich, oficial da SS alemã e um dos responsáveis pela chamada “solução final” que pretendeu por fim ao judeus de toda a Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Sua vida é repleta de acontecimentos que marcaram sua personalidade para o mal, para a crueldade sem medida, voltada ao extermínio de minorias como ciganos, homossexuais, padres formadores de opinião, maçons e especialmente judeus, culpados pela miscigenação do mundo e, portanto, responsáveis pelas modificações da raça ariana, que tinha os nórdicos como modelo: altos, louros e de olhos azuis. Heydrich foi o segundo homem na SS ( Sicherheitsdienst ), entidade paramilitar inicialmente responsável pela repressão pol...

"O Espião que Saiu do Frio", John le Carré

O REI DA ESPIONAGEM Cristian Luis Hruschka LE CARRÉ, John. O Espião que Saiu do Frio, 8a. Ed., Rio de Janeiro: Ed. Record, 2013, 237 páginas. Tradução: Adelino dos Santos Rodrigues. Britânico, nascido em 1931, John le Carré é um dos maiores escritores do gênero de espionagem. Seu primeiro livro (O Morto ao Telefone) foi lançado em 1961, quase duas décadas após o término da segunda guerra mundial. Integrante do corpo diplomático da Inglaterra, Le Carré trabalhou por muitos anos na Alemanha, em plena guerra fria, sendo boa parte de seus romances ambientados nessa época.  O Espião que Saiu do Frio  é de 1963, quando livros de espionagem faziam muito sucesso impulsionados pelo conhecido James Bond, de Ian Flemming. O agente de Le Carré, porém, é bastante diferente do 007. Muito mais introspectivo e reservado, sem fazer uso de armas espalhafatosas e fantasiosas, o personagem Alec Leamas foi criado com muita técnica e perfeição. Seus diálogos são milimetricamente ...

"O Homem que Amava muito os Livros", Allisson Hoover Bartlett

DELITOS LITERÁRIOS BARTLETT, Allison Hoover. O Homem que Amava muito os Livros: a história real de um ladrão bibliófilo, um detetive e os bastidores do universo dos colecionadores literários, São Paulo: Ed. Seoman, 2013, 208 páginas, tradução: Drago. No início do livro a autora avisa: "Sempre costumo associar o aroma de um livro antigo à época em que ele tenha sido escrito, como se a fragrância fosse diretamente proveniente da ambientação da história que é narrada." (pág. 10). Por esse pequeno trecho podemos deduzir que para muitas pessoas o mais importante não é o que está dentro do livro, mas sim o que ele representa no tempo e no espaço. Livros antigos são sinônimo de lutas, de idéias, inovações. Essa paixão pelo livro como um objeto que representa emoções e lembranças, somada ao prazer de manter o exemplar em sua biblioteca, é cultivada pelos bibliófilos, amantes de livros belos e raros que muitas vezes os coleciona em virtude de circunstâncias ligadas à sua pub...

"Corta pra mim", Marcelo Rezende

NO TEATRO DOS ACONTECIMENTOS REZENDE, Marcelo. Corta pra mim: os bastidores das grandes investigações, São Paulo: Ed. Planeta, 2013, 240 páginas. Lançado no final de 2013, o livro de Marcelo Rezende, “Corta Pra Mim”, reúne parte da sua trajetória como repórter investigativo. Testemunha de diversos acontecimentos da história recente do Brasil, Marcelo entrou no jornalismo quase que por acaso. Foi chamado por seu primo, Merival Júlio Lopes, para conhecer a redação do Jornal dos Sports , e lá acabou auxiliando o jornalista Achilles Chiroll ao ditar nomes e resultados de jogos de um campeonato promovido pelo jornal para que fossem datilografados. Havia um time de várzea curiosamente chamado de Couve-flor e ao ditá-lo Marcelo falou: - couve hífen flor. Momentos após foi chamado para trabalhar no jornal. Contratado por um “hífen”, pois a maioria iria ditar “couve tracinho flor”. Assim iniciava sua carreira jornalística como repórter esportivo, área na qual trabalhou por um bom temp...

"O Mundo de Platão", Neel Burton

O FILÓSOFO ESCRITO   BURTON, Neel. O Mundo de Platão, Ed. Cultrix, 2013, 231 páginas. Tradução de Mario Molina. Muito já se escreveu sobre o filósofo grego Platão, porém, poucas obras reúnem de forma concisa e clara seus diálogos e apresentam um panorama do ambiente em que ele viveu há mais de 20 séculos. O livro escrito pelo inglês Neel Burton apresenta uma proposta diferenciada, abordando a história de Atenas até a elaboração dos famosos diálogos de Platão. Nessa trajetória consegue integrar o leitor ao ambiente da época, familiarizando-o com palavras e expressões muito utilizadas mas pouco compreendidas pelo grande público. De forma suscita, porém objetiva, explica questões pontuais da história como o surgimento da “Cidade-Estado”, as guerras persas com o famoso Leônidas e seus trezentos heróis espartanos, e as guerras do Peloponeso, que resultou no controle de Atenas, rendida, por Esparta. Além do contexto histórico, Burton apresenta os filósofos mais importantes da ép...

"Memórias de uma Guerra Suja", Cláudio Guerra em depoimento a Marcelo Netto e Rogério Medeiros

CRIMES DA DITADURA Cristian Luis Hruschka Cláudio Guerra em depoimento a Marcelo Netto e Rogério Medeiros, Memórias de uma Guerra Suja, Rio de Janeiro: Ed. Topbooks, 2012, 291 pág. Lançado em 2012, o livro aborda os bastidores do regime militar em sua mais cruel face. Cláudio Guerra, delegado do DOPS durante o período ditatorial, agora um religioso devoto a Jesus (pastor da Assembléia de Deus), procurou o jornalista Rogério Medeiros para relatar o que presenciou e os atos de barbaridade que cometeu sob o mando dos militares. Sem demonstrar pretensão literária, o livro aborda o modus operandi de policiais e militares que atuavam, determinando execuções sumárias independente de quem fosse, desde que considerado contra o regime. Cláudio Guerra era o executor dos assassinatos e muitas vezes matou pessoas sem saber o motivo, apenas por cumprir ordens, com fidelidade canina, que vinham dos líderes que combatiam a revolta armada. Entre eles, o relato do delegado aos jornalistas ...