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“O Jogador”, Fiodor Dostoievski

O VÍCIO DO JOGO

O JOGADOR, Fiodor Mikailovitch Dostoievski, Rio de Janeiro: Ed. Bertrand Brasil, 1987 (tradução: Moacir Werneck de Castro).

Nascido em 11 de novembro de 1821, na fria cidade de Moscou, Rússia, Fiodor Dostoievski é mais conhecido por suas obras “Crime e Castigo” e “Os Irmãos Karamazov”. Escritor dos mais respeitados, figura sempre ao lado de grandes mestres da literatura como Cervantes, Proust e Flaubert.

Maior representante da literatura russa, a partir de 1844 passou a se dedicar com esclusividade a literatura, procurando viver da venda de seus livros e de traduções. Como a literatura tinha um público mais selecionado e escasso, não demorou para contrair dívidas, fato que foi agravado por problemas de saúde. Para complicar sua vida, foi preso e exilado na Sibéria em 1849.

Como todo bom escritor, teve uma vida movimentada, sempre atento a todos os detalhes que passavam a sua frente. Nesse contexto, Dostoievski absorveu os conflitos humanos e sociais, fatores que foram predominantes para a construção de seus personagens, sempre entrelaçados em conflitos psicológicos e morais.

O livro “O Jogador” foi escrito em 1867 e reflete, em parte, a vida do próprio autor. Dostoiveski, assim como o personagem principal da trama, Alexei Ivanovich, gostava de jogar. No livro, porém, o jogo é uma compulsão, tratado de forma doentia.

O protagonista não dá ouvidos aqueles que procuram controlar sua insaciedade pelo dinheiro, mantendo-se firme em seus propósitos mesquinhos. Ganha fortunas mas em pouco tempo perde o dinheiro obtido, levando ao leitor a sentir-se irritado com Alexei e mandá-lo parar de se arriscar. Como no jogo quem sempre ganha é o dono da banca, não preciso me estender para que possam prever o final, porém, a leitura se torna ainda mais interessante com esse detalhe sórdido, até mesmo para que possamos entrar no universo criado pelo escritor russo e contemplar com riqueza de detalhes a vida da burguesia da época e o modo como os espertinhos de plantão circulavam entre a nobreza.

Paralelo a tudo isso Alexei vive uma conturbada relação de amor e ódio com Paulina Alexandrovna, cuja paixão por ela e o vício compulsivo pelo jogo lhe consomem.

Vale a leitura desse pequena obra-prima, a qual foi ditada por Dostoievski para estenógrafa Anna Grigórievna Snítkina, sua futura esposa, em apenas vinte e seis dias, dentro do exíguo prazo determinado por seu editor. Aentrega do livro lhe rendeu uns bons trocados para aplacar a ira de seus credores e viajar pela Europa a procura de um pouco de tranquilidade.

Dostoievski faleceu em São Petesburgo, Rússia, no dia 9 de fevereiro de 1881, com então 59 anos de idade.

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