Pular para o conteúdo principal

"A Cabana", William P. Young


LIÇÕES MUITAS VEZES ESQUECIDAS


A CABANA, William P. Young, Rio de Janeiro: Ed. Sextante, 2008, 236 pág.


Sucesso de vendas, há diversas semanas na lista dos mais vendidos, o livro não empolga.

Trata-se de mais um livro que conta com o apoio mercadológico para vender. A história até se apresenta interessante, ainda mais se levarmos em consideração as expressões que estão na contracapa, tais como “esta história deve ser lida como se fosse uma oração”, ou ainda “você vai querer partilhar este livro com todas as pessoas que ama”.

São estratégias que atraem o leitor sem, no entanto, representar o resultado final da leitura.

O enredo explora a vida de um homem atormentado com a morte de sua filha na mencionada cabana que dá título ao livro. Após algum tempo ele recebe um bilhete pedindo que retorne para lá a fim de colocar o assunto em pratos limpos. Lá é recebido por Deus, Jesus e o Espírito Santo, personificados, sendo que o primeiro se apresenta como uma mulher negra e gorda, com brilhantes dotes culinários.

Essa tríade celestial passa a questionar e confrontar Mack, personagem principal, com seus medos e dúvidas, em especial sua descrença em Deus, que entende o ter abandonado e ser incapaz de aplacar seu sofrimento.

Daí para frente nos defrontamos com princípios estudados na catequese e revisados na crisma, onde sabemos que o perdão deve ser concedido a todos, até mesmo aos assassinos, pois todos são filhos de Deus, que nos ama de forma incondicional, e merecem uma nova oportunidade. Aliás, o amor e o perdão são um alívio maior para quem oferece do que para quem recebe. Um livro que nos apresenta valores que conhecemos mas que por muitas oportunidades deixamos guardado nos mais abissais buracos da alma.

Deus, no entanto, deixa claro que é responsável pela Criação mas não pelos nossos atos, afinal somos dotados de livre arbítrio e por isso devemos responder por nossas ações e omissões.

Enfim, um livro que, não fosse pelo caráter fictício, visto que ninguém pode testemunhar a forma de Deus, poderia ser classificado como de auto-ajuda.

No mais, fica a bela mensagem de que em Deus tudo podemos ("o caminho, a verdade e a vida”), basta nos entregarmos aos seus ensinamentos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Mossad - Os Carrascos do Kidon", Eric Frattini

EM NOME DE ISRAEL Cristian Luis Hruschka FRATTINI, Eric. Mossad os carrascos do Kidon: a história do temível grupo de operações especiais de Israel. 1a. Ed., São Paulo: Ed. Seoman, 392 pág. Referenciado por uns e considerado por outros como sendo um grupo terrorista de Israel, o Mossad consiste no mais avançado e treinado serviço de investigação israelense. Criado em 1951, teve como proposta inicial vingar os judeus mortos durante a Segunda Guerra Mundial, aproximadamente seis milhões, e combater os inimigos de Israel em todo e qualquer lugar do planeta. O "Kidon", por sua vez, é a unidade "secreta"do Mossad, este vinculado ao Metsada, responsável pelas operações especiais de Israel. Sua norma básica de atuação é: "Não haverá matança de líderes políticos; estes devem ser tratados através dos meios políticos. Não se matará a família dos terroristas; se seus membros se puserem no caminho, não será problema nosso. Cada execução tem de ser autoriza...

"O Vermelho e o Negro", Stendhal

VIDA E MORTE DE UM ELEGANTE CAMPONÊS Cristian Luis Hruschka STENDHAL. O Vermelho e o Negro, Porto Alegre: Ed. Dublinenses, 2016, 544p. Tradução: Raquel Prado (edição especial encomendada pela TAG para seus associados) Não vou entrar em detalhes críticos, acadêmicos ou políticos. Tudo já foi dito de "O Vermelho e o Negro", livro maior do escritor francês Stendhal. Publicado em 1830, Le Rouge et le Noir conta a breve vida de Julien Sorel, camponês pobre do interior da França que busca projeção na sociedade. Para tanto, socorre-se de sua beleza e inteligência e desde cedo começa a trabalhar como preceptor dos filhos do Sr. de Rênal, pessoa influente na sociedade local. Sorel, personagem muito interessante, logo conquista todos com sua polidez e habilidade nas letras. Tendo decorado a Bíblia, não demora para atrair todos os olhares para si, inclusive da Sra. de Rênal, com quem passa a envolver-se em segredo. Esse relacionamento amoroso é muito sutil, não havendo no li...

"O Conto da Ilha Desconhecida", José Saramago

  A Ilha Desconhecida de Cada Um   Cristian Luis Hruschka   SARAMAGO, José. O Conto da Ilha Desconhecida. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, 62 páginas.   Sempre tive a certeza de que o livro não se mede pelo tamanho, mas sim pelo conteúdo. É como um perfume; os melhores estão nos menores frascos. A literatura é assim. Livros curtos como A Metamorfose de Kafka e O Estrangeiro de Camus são exemplos disso: obras excelentes em poucas páginas. Lógico, não estou desprezando os gigantes como Dom Quixote , O Senhor dos Anéis e Guerra e Paz , mas nem sempre há necessidade de escrever tanto para contar uma história fascinante.   Com O Conto da Ilha Desconhecida não é diferente. Nessa pequena obra, o Nobel da Literatura José Saramago nos traz um enredo fascinante. Foi neste livro que cunhou a conhecida citação: “É necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não saímos de nós” (pág. 41). A frase resume a essência da narrativa, qu...