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"O Cemitério de Praga", Umberto Eco

COMPÊNDIO SOBRE FALSIFICAÇÕES E COMPLÔS ECO, Umberto. O Cemitério de Praga, Rio de Janeiro: Ed. Record, 2011, 479 pág. (tradução de Joana Angélica d’Avila Melo).              Não sou de ler os livros que costumam figurar na lista dos mais vendidos, mas confesso que o título do último romance de Umberto Eco despertou a minha atenção. Por ser descendente de tchecos, tudo que diz respeito a esse país da Europa Central me aguça a curiosidade.              Umberto Eco é um erudito e parte de seus livros, tal como ocorre com seu romance de maior sucesso – O Nome da Rosa -, nos remete há tempos antigos, sem a tecnologia de celulares, sensores de presença, GPS, armas automáticas ou internet. Dentro desse contexto,  O Cemitério de Praga  conduz o leitor a um passeio pelo período oitocentista, onde o protagonista principal, o único que realmente não existiu, de...

"Boa Ventura", Lucas Figueiredo

A RIQUEZA BRASILEIRA E O DESCONTROLE PORTUGUÊS BOA VENTURA, A CORRIDA DO OURO NO BRASIL (1697 - 1810), Lucas Figueiredo, Ed. Record, 2011, 387 páginas. Em primoroso trabalho de pesquisa e com uma prosa envolvente, o mineiro Lucas Figueiredo nos apresenta um livro delicioso e repleto de informações. É uma veradeira aula de história, tendo como mote principal a cobiça da Coroa Portuguesa pelo ouro de sua mais lucrativa colônia: Brasil. Quando Pedro Álvares Cabral chegou as nossas terras, Portugal estava completamente endividada, fazendo uso de empréstimos e venda de títulos da dívida pública para obter recursos financeiros para manutenção da corte. A primeira impressão com o Brasil, porém, não foi das melhores. Somente avistaram índios e estes não trajavam vestimentas com detalhes em ouro, muito pelo contrário, os então donos da terra viviam praticamente nus. Após alguns investimentos iniciais, nenhum sinal de ouro, frustrando as expectativas portuguesas. Já a Espanha...

“O Charuto de Churchill”, Stephen McGinty

O PODER DA FUMAÇA O CHARUTO DE CHURCHILL, Stephen McGinty, Ed. Record, 2010, 207 p. (tradução de Marcia Frazão). Sempre que se fala em charutos, logo vem à lembrança a imagem de Fidel Castro e Che Guevara, porém, de todos os apreciadores, ninguém se identificou tanto com ele como Winston Churchill. Divertido e de ótima presença de espírito, Churchill foi o comandante das forças aliadas contra o eixo durante a II Guerra Mundial. Sua postura firme e inteligência privilegiada, lhe renderam as glórias de ter derrotado o Führer. Brilhante político, escritor (recebeu o prêmio Nobel), jornalista e pintor, era sempre visto com o seu inseparável charuto. Através de “O Charuto de Churchill”, o jornalista britânico Stephen McGinty traça a vida desse estadista de um posto de vista inusitado. Em uma linguagem clara e objetiva, inicia o livro falando sobre a história do charuto - sua forma de colheita, os tipos de tabaco, a produção artesanal - para, lentamente, interligá-lo a biografia de Chu...

“O Mapa do Tempo”, Felix J. Palma

O ETERNO SONHO DE CRUZAR A LINHA TEMPORAL O MAPA DO TEMPO, Felix J. Palma, Ed. Instrísica, 2010, 470 p. (tradução de Paulina Watch e Ari Roitman) Não é recente a vontade do homem de cruzar a linha do tempo. A possibilidade de viajar para épocas passadas e visitar o futuro é instigante, porém seus efeitos podem ser avassaladores. Trata-se, porém, de uma realidade impossível de acontecer, valendo apenas para inundar de fantasia e sonhos os pobres habitantes desse planeta terra. Porém, nada melhor do que esse tema para encher a imaginação de um universo cada vez maior de pessoas, todas na esperança de que um dia isso de torne possível. É sobre esse assunto que o escritor espanhol Felix J. Palma nos brinda com seu excelente romance “O Mapa do Tempo”. Aproveitando a onda de livros de ficção que carregam obras literárias de reconhecimento universal para nortear seus romances, Felix Palma se apoia no livro “A Máquina do Tempo”, do escritor inglês H. G. Wells (1866 - 1946), originalmente ...

“Cartas do Everest”, Airton Ortiz

SUBIDA AO TOPO DO MUNDO Cristian Luis Hruschka CARTAS DO EVEREST, Airton Ortiz, Rio de Janeiro: Ed. Record, 2008. Lançado em 2008, o livro “Cartas do Everest” é a única obra ficcional do escritor gaúcho Airton Ortiz. Mais conhecido por seus livros de reportagem e precursor do gênero “jornalismo de aventura”, Ortiz lançou pela Editora Record livros de sucesso como “Em Busca do Mundo Maia”, “Na Trilha da Humanidade”, “Na Estrada do Everest” e “Cruzando a Última Fronteira”, todos integrantes da coleção “Viagens Radicais”. Neles são relatadas as aventuras do escritor pelo mundo, desbravando lugares exóticos em meio a natureza. “Cartas do Everest” relata a tentativa de Claudio Adônis Montenegro, na companhia de mais dois alpinistas, um americano e outro alemão, em conquistar o cume da montanha mais alta do planeta. Os capítulos são intercalados entre cartas e fragmentos do diário de Cláudio, onde o leitor pode acompanhar suas adversidades e a beleza encontrada pelo caminho. São...

“O Jogador”, Fiodor Dostoievski

O VÍCIO DO JOGO O JOGADOR, Fiodor Mikailovitch Dostoievski, Rio de Janeiro: Ed. Bertrand Brasil, 1987 (tradução: Moacir Werneck de Castro). Nascido em 11 de novembro de 1821, na fria cidade de Moscou, Rússia, Fiodor Dostoievski é mais conhecido por suas obras “Crime e Castigo” e “Os Irmãos Karamazov”. Escritor dos mais respeitados, figura sempre ao lado de grandes mestres da literatura como Cervantes, Proust e Flaubert. Maior representante da literatura russa, a partir de 1844 passou a se dedicar com esclusividade a literatura, procurando viver da venda de seus livros e de traduções. Como a literatura tinha um público mais selecionado e escasso, não demorou para contrair dívidas, fato que foi agravado por problemas de saúde. Para complicar sua vida, foi preso e exilado na Sibéria em 1849. Como todo bom escritor, teve uma vida movimentada, sempre atento a todos os detalhes que passavam a sua frente. Nesse contexto, Dostoievski absorveu os conflitos humanos e sociais, fatores que f...

"A Vida Real", Fernando Sabino

SABINO EM SONHO A VIDA REAL, Fernando Sabino, 2ª. ed., Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1963, 209 pág. Acabo de ler "A Vida Real", do escritor mineiro, morto em 2004, Fernando Sabino. Meu exemplar, particularmente, é guardado com carinho. Adquirido em um sebo, é o livro nº. 3975 da 2ª. edição (out/1963) - a primeira teve apenas 500 exemplares e foi lançada em 1952, quatro anos após Sabino regressar ao Brasil de Nova York (dessa permanência resultou o livro "A Cidade Vazia"). "A Vida Real" é composta de cinco novelas, tendo como tema central "a emoção vivida durante o sono". Diferente do que ocorre em diversos outros de seus livros, Fernando Sabino não procura narrar situações do cotidiano, optando por abordar questões subjetivas e dramas pessoais passados pelas personagens. O estilo claro, limpo e objetivo, característico dos textos de Sabino está presente, garatindo uma leitura agradável e ágil. Vale a leitura para conhecer um outro lado do aut...