Pular para o conteúdo principal

Postagens

"Ontem à Noite era Sexta-feira", Roberto Drummond

PASSEIO POR BH Cristian Luis Hruschka DRUMMOND, Roberto. Ontem à noite era sexta-feira, 4a. ed., Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1988, 210 p. O teólogo holandês Erasmo de Roterdã disse: "quando tenho algum dinheiro, compro livros. Se ainda me sobrar algum, compro roupas e comida" . Nos dias atuais essa expressão pode ser quase levada ao pé da letra quando visitamos os diversos sebos que existem pelo Brasil. Neles é possível garimpar livros muito interessantes e há tempo fora de catálogo. Bom frequentador desses locais, perdendo horas vasculhando as estantes, ao trocar créditos recebidos em um sebo por outros livros, encontrei "Ontem à noite era sexta-feira", de Roberto Drummond. Ler Drummond é sempre uma satisfação. Na linha dos bons escritores mineiros, tal como Fernando Sabino e Oswaldo França Júnior, possui uma escrita rápida, simples e profunda, qualidades literárias somente alcançadas com muito esforço. Sabino, em sua famosa entrevista ao programa Roda Vi...

"Stephen King - A Biografia", Lisa Rogak

A FORÇA DO MEDO Cristian Luis Hruschka ROGAK, Lisa. Stephen King, a biografia – Coração Assombrado, Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2013, 320 p., tradução de Cláudia Guimarães. Como diz o ditado: cavalo dado não se olha os dentes. Nunca fui de ler biografia de personalidades vivas, muito menos autobiografias, mas ganhei de uma amiga muito querida o livro escrito por Lisa Rogak sobre a vida do escritor Stephen King (DarkSide Books, 2013). Não posso negar, King foi um dos responsáveis por despertar a leitura em minha juventude, quando ainda em idade ginasial eu varava noites lendo histórias escabrosas sobre vampiros e lobisomens. É claro que naquela época os vampiros não eram essas donzelas de hoje em dia, deturpados por livros como a trilogia piegas da família Cullen (Stephenie Meyer), em que brilham ao sol e se apaixonam desesperadamente por mortais sem quaisquer atributos. Sou da época que eles não poupavam ninguém. Vampiros de verdade como o Drácula de Bram Stocker na lite...

"K.", Bernardo Kucinski

MEMÓRIAS AFLITIVAS Cristian Luis Hruschka KUCINSKI, Bernardo. K. - Relato de uma busca, São Paulo: Ed. Cosac Naify, 2014, 192 pág. Como administrar a dor da perda? É possível conviver com a ausência de uma pessoa querida? O sentimento de vazio está ligado de forma umbilical com a sensação de impotência trazida pelo desaparecimento repentino da filha de K., protagonista principal do livro de Bernardo Kucinski, agora reeditado pela Cosac Naify e que fora finalista do Prêmio Portugal Telecom e São Paulo de Literatura de 2012, quando publicado pelo selo Expressão Popular. A trama se passa durante o regime militar no Brasil, período negro da recente história nacional, com feridas que permanecem abertas até os dias atuais. A personagem principal não tem nome, apenas é chamado de "K.", fazendo-nos evocar Joseph K., personagem do escritor tcheco Franz Kafka no livro "O Processo", que é preso, julgado e condenado por um crime não revelado. O texto relata a bu...

"Opisanie Swiata", Veronica Stigger

UMA VIAGEM FANTÁSTICA Cristian Luis Hruschka STIGGER, Veronica. Opisanie Swiata. São Paulo, Cosac Naify, 2013, 160 pág. O livro de Veronica Stigger começa quando Natanael envia para Opalka uma carta solicitando que o venha visitar, pois, enfermo, quer conhecer seu pai antes da morte, inclusive encaminhando-lhe as passagens e dando recomendações para a viagem. Natanael, porém, vive na Amazônia e Opalka na Polônia. Essa jornada entre os continentes é relatada de forma magistral pela autora em seu novo livro, "Opisanie Swiata", lançado pela Editora Cosaf Naify e vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura como o melhor livro de romance do ano de 2013. Quando recebi o livro pelos Correios, minha primeira compra na Amazon, confesso que achei um tanto carregado nas ilustrações. Porém, assim que avançamos na leitura, as fotos e panfletos reproduzidos situam o leitor no tempo da narrativa e as páginas de cores diferentes contribuem na condução da trama. A história não é contad...

"Minha Vida sem Banho", Bernardo Ajzenberg

BANHO QUE TE QUERO SEMPRE Cristian Luis Hruschka AJZENBERG, Bernardo. Minha vida sem banho. Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 2014, 189 pág. Temos o hábito de nos banhar todos os dias, mais de uma vez. O Brasil é um país muito quente e o suor atrapalha no dia a dia. Esse hábito vem dos índios e, por mais que os europeus tenham se empenhado, não conseguiram acabar com ele. Hoje, porém, a água tem se tornado um bem cada vez mais escasso e precioso. As campanhas de conscientização têm sido cada vez maiores, também pudera, escovando os dentes por cinco minutos gastamos doze litros de água; um banho de quinze minutos consome 135 litros, sem levar em consideração o tempo que os homens desperdiçam para fazer a barba sob o chuveiro; uma torneira pingando por todo o dia elimina algo em torno de quarenta e cinco litros. É justamente o gasto exagerado de água que serve de mote para o novo livro de Bernardo Ajzerberg, dando início a uma trama que leva o leitor para períodos conturbados da história ...

"A Maçã Envenenada", Michel Laub

DO SUICÍDIO E OUTROS DEMÔNIOS Cristian Luis Hruschka LAUB, Michel. A Maça Envenenada, São Paulo: Cia. das Letras, 119 pág. Lembro bem quando Kurt Cobain morreu. Seu suicídio marcou minha geração e pensávamos que nada poderia substituir o líder do Nirvana. A banda se desfez com o passar dos anos. Não resistiu a perda. Muitos não se recordam deles, mas a capa iconográfica do álbum  Nevermind  (1991) é lembrada sempre. Reportagens com o bebê (Spencer Elder, hoje com mais de 20 anos de idade) mergulhando e a nota de um dólar pipocam pela internet. Outras bandas vieram, a onda grunge foi acabando e agora vive apenas na cabeça daqueles que tiveram o privilégio de curtir a fase dos grupos de Seattle. O livro de Michel Laub, escritor de qualidade comprovada e autor de "Diário da Queda", primeiro livro da trilogia que segue com "A Maçã Envenenada", possui como tema principal um show da banda estadunidense na cidade de São Paulo (SP), ocorrido em 1993. O narrador, m...

"Suave como a Morte", André Luiz Cosme Ladeia

POESIA PERTURBADORA Cristian Luis Hruschka LADEIA, André Luis Cosme. Suave como a Morte, Guaratinguetá: Ed. Penalux, 2014, 120 pág. Há tempos venho pensando sobre o que escrever de  Suave como a Morte , livro de estreia do poeta carioca, radicado em Minas Gerais, André Ladeia. Assim que o recebi iniciei a leitura. No primeiro poema já percebi que seria um livro perturbador: "Quando nasci A morte Veio me visitar E me presenteou Com seu relógio negro O coveiro que fez me parto Me benzeu E depois Começou a prepara minha lápide As bailarinas dançavam Com a morte Ao som de uma música lúgubre Os sinos badalaram Para comemorar o início Do meu enterro" (pág. 21) O poema inicial, sem dúvida o melhor de todos, nos leva a indagar sobre a existência do homem. Nascemos com a hora da morte marcada? Durante essa curta existência terrena nossos passos já estão traçados? Será que a vida é a festa da morte? Ainda que a morte seja um tema recorrente aos poetas, a p...