Pular para o conteúdo principal

Postagens

"Na Linha da Loucura", Cristian L. Hruschka

HRUSCHKA, Cristian Luis. Na Linha da  Loucura, Balneário Camboriú: Ed. Minarete/Legere, 2014, 87 p. "A leitura de 'Na Linha da Loucura' constitui uma caixa de surpresas. É que a novela de Cristian Luis Hruschka, no aspecto formal, revela um escritor feito e que domina seu instrumento de trabalho sem incidir nos notórios defeitos comuns aos iniciantes. Embora este seja seu livro de estreia, mostra que o autor vem se exercitando de muito tempo na difícil arte da escrita literária. A impressão que  fica é a de que ele escreve com facilidade e o texto flui de maneira livre, com aquela naturalidade de quem sabe com precisão o que e como deseja dizer. O estilo é simples, límpido e direto, sem rebuscamentos desnecessários. A história se desenrola na sequência de surpresas. Cada tópico contém, por assim dizer, algum imprevisto que provoca impacto no leitor e atiça sua curiosidade, prendendo-o na leitura, até o final. E nisso se revela a criatividade do autor. Os fatos reais e o...

"A Tristeza Extraordinária do Leopardo-das-Neves", Joca Reiners Terron

CRIATURA QUE FASCINA TERRON, Joca Reiners. A tristeza extraordinária do leopardo-das-neves, São Paulo: Ed. Companhia das Letras, 2013, 175 p. A leitura do último livro de Joca Reiners Terron instiga desde o início. A curiosidade é um dos sentidos que movem o homem, cujo resultado final não tem como garantir se será bom ou ruim. No caso de "A Tristeza..." a curiosidade nos leva até o fim. As personagens são construídas com cuidado e sem pressa, cuja trama é narrada por um escrivão de polícia que vive um drama pessoal nas noites insones que lhe consomem as forças. O enredo transcorre pelo bairro do Bom Retiro, São Paulo (SP), envolvendo judeus, bolivianos, coreanos, todos transitando em torno da "criatura" que vive enclausurada em sua casa aos cuidados da eficiente e religiosa sra. X. A criatura também não tem nome. Vive isolada na mansão fincada no coração do bairro paulista. Abandonada pela família, que parece não ter suportado o convívio, talvez por pena, tal...

"Depois do Último Trem", Josué Guimarães

LITERATURA RECOMENDADA Cristian Luis Hruschka GUIMARÃES, Josué. Depois do Último Trem, 2a. ed., Porto Alegre: Ed. L & PM, 1979, 141 pág. O Estado do Rio Grande do Sul sempre apresentou ótimos escritores. Érico Veríssimo na prosa e Mário Quintana na poesia, com certeza os maiores representantes. Outros estão meio esquecidos, mas suas obras não podem ser deixadas de lado. Josué Guimarães é um deles. Nascido na cidade de São Jerônimo (RS), teve uma vida movimentada. Trabalhou em diversos jornais de âmbito nacional, sendo perseguido durante o regime militar, quando esteve na clandestinidade escrevendo por meio de pseudônimos. Falecido em 1986, deixou um grande número de obras, adultas e infantis. Seus livros de maior expressão são "Enquanto a noite não chega", reconhecido pela crítica como obra máxima, "Dona Anja", "Tambores Silenciosos" e "Camilo Mortágua". Lembrei de seu nome quando estava lendo o artigo do Alberto Mussa no suplemento ...

"História da Literatura Ocidental sem as Partes Chatas", Sandra Newman

MANUAL IRREVERENTE NEWMAN, Sandra. História da literatura ocidental sem as partes chatas: um guia irreverente para ler os clássicos sem medo. São Paulo: Cultrix, 2014, 400 pág., tradução de Ana Tiemi Missato Cipolla e Marcelo Brandão. Recém lançado pela Editora Cultrix, o livro de Sandra Newman não é para ser lido de forma contínua, servindo, como diz o subtítulo, de guia para conhecer um pouco da obra de parte dos escritores ocidentais. Não acredite o leitor, também, que se trata de todo o ocidente, pois o livro está focado nos autores de língua inglesa, com algumas exceções, entre elas os russos e Miguel de Cervantes. Falando no criador do "Cavalheiro da Triste Figura", é um dos poucos poupados pela verve da autora, sendo bem avaliado nos quesitos de importância, acessibilidade e diversão. O livro não apresenta um resumo das mais importantes obras, porém, pode ser utilizado como um roteiro para que o leitor não perca tempo com algumas delas. Livros como Ulisses , de...

"Mossad - Os Carrascos do Kidon", Eric Frattini

EM NOME DE ISRAEL Cristian Luis Hruschka FRATTINI, Eric. Mossad os carrascos do Kidon: a história do temível grupo de operações especiais de Israel. 1a. Ed., São Paulo: Ed. Seoman, 392 pág. Referenciado por uns e considerado por outros como sendo um grupo terrorista de Israel, o Mossad consiste no mais avançado e treinado serviço de investigação israelense. Criado em 1951, teve como proposta inicial vingar os judeus mortos durante a Segunda Guerra Mundial, aproximadamente seis milhões, e combater os inimigos de Israel em todo e qualquer lugar do planeta. O "Kidon", por sua vez, é a unidade "secreta"do Mossad, este vinculado ao Metsada, responsável pelas operações especiais de Israel. Sua norma básica de atuação é: "Não haverá matança de líderes políticos; estes devem ser tratados através dos meios políticos. Não se matará a família dos terroristas; se seus membros se puserem no caminho, não será problema nosso. Cada execução tem de ser autoriza...

"O Estrangeiro", Albert Camus

IDEIA DO ABSURDO Cristian Luis Hruschka CAMUS, Albert. O Estrangeiro, 34a. Rio de Janeiro: Record, 2012, 126 pág. Tradução de Valerie Rumjanek. Nascido na Argélia, de ascendência francesa, Albert Camus teve uma infância pobre e a muito custo conseguiu vencer na literatura. Em 1939 foi para Paris, sendo que em virtude da Segunda Guerra Mundial teve de retornar para Argel, trazendo consigo o rascunho de "O Estrangeiro", considerado por muitos como seu livro de maior importância. Faleceu cedo, com apenas 47 anos, em um acidente de carro, porém, produziu bastante em sua breve vida, tanto na literatura, na dramaturgia e no campo do ensaio. Era também jornalista e filósofo, neste particular buscando retratar o absurdo, seguindo a linha da Kafka e Dostoiévski. Foi também grande amigo de Sartre, maior representante da filosofia existencialista, tendo rompido com este, porém, anos antes da sua morte, após o término da II Grande Guerra. É na linha do absurdo que anda "O Es...

"Jorge, um Brasileiro", Oswaldo França Júnior

ROMANCE EM BATE-PAPO FRANÇA JÚNIOR, Oswaldo. Jorge, um Brasileiro, 1 ª  ed., Rio de janeiro: Ed. Bloch, 1967, 269 pág. Sempre fui avesso às listas dos mais vendidos. Desconheço se os clássicos de hoje fizeram parte de alguma relação no passado (se é que existia) que indicasse se tratar de uma obra indispensável, tampouco com qualidade literária. Por esse motivo, gosto de garimpar em sebos livros que já estão esquecidos pela nova geração mas que não podemos deixar de mencionar em virtude da qualidade de suas palavras. Um exemplo dessa boa literatura é "Jorge, um Brasileiro", do escritor mineiro Oswaldo França Júnior, que adquiri pelo simbólico valor de R$ 5,00 (cinco reais). Um absurdo, quanto mais por se tratar da primeira edição. Nascido em 21 de julho de 1936 na cidade do Serro, Estado de Minas Gerais, França Júnior foi cedo para a cidade do Rio de Janeiro (RJ) onde se tornou piloto da Força Aérea Brasileira. Expulso em 1964 por ocasião do golpe militar implantado no ...